Minha vida de "cigano"
I/X
Eu nasci seridoense
Em Jardim do Seridó
Mas morei em Caicó
E fui serratalhadense
Ainda fui viçosense
De Viçosa, Alagoas
Onde só tem gente boa
Como os conceiçãoenses
- das terras piancoenses -
Que me acolheram, na boa
II/X
Depois fui p'ra Guarabira
No brejo paraibano
Onde cumpri mais dois anos
Da carreira que assumira
Fiz amizade com os Lyras
E Paulinos, boa gente!
Que acolhe elegantemente
Quem solicita guarida
Na cidade preferida
De onde fui residente
III/X
Então, o Brejo do Cruz
Alto sertão, Paraíba
Me mereceu novo "arriba"
E foi lá que me dispus
A carregar minha cruz
Antes de ir p'ra Pombal
E encher-me de moral
P'ra retorno a Guarabira
E "tocar" a minha lira
Mais uma vez no local
IV/X
Depois, "meu rei", a Bahia!
Fui para Medeiros Neto
Extremo sul, predileto
Lugar de uma freguesia
Que na Paz e harmonia
Sempre dizia: "presente"
Quando recebia gente
De fora com simpatia
Porém, de lá, subiria
Para o sertão, novamente
V/X
Foi para o pernambucano
Que fui instado a voltar
Em Flores me apresentar
P'ra ficar por mais de ano
Era a vida de cigano
Que consciente eu havia
Assumido e que seria
Por dez verões prolongada
Até que fosse aprovada
Minha aposentadoria
VI/X
Garanhuns se transformou
No mais belo dos destinos
Eu, a mulher e os meninos
- Todo mundo - adorou
O lugar que nos levou
Na sequência, à capital
Recife, do carnaval
E também da violência
Que me viu, em consequência
Procurar outro local
VII/X
Um erro que cometi
Me fez ir p'ra Crateús
- No Sertão dos Inhamuns -
P'ro Ceará eu parti
Não! Não me arrependi
Por achar que era Sobral
O município, o local
Para onde estava indo
E acabei residindo
Bem longe da capital
VIII/X
E então houve os derradeiros
Périplos - no Cariri
Tudo acontecendo ali
No entorno de Juazeiro
Milagres veio primeiro
O último, Missão Velha
Sua cidade mais velha
Mas houve ainda Crato
E Barbalha, último ato,
De uma peça já velha
IX/X
Que não foi escrita à toa
Pois viemos para Patos
Para contar os relatos
Dum 'tempo' em João Pessoa
Em que perto da "Lagoa"
Por pequena temporada
Constituímos morada
Numa casinha até boa
Cujo retrato ecoa
Na minha mente cansada
X
Pode assim ser resumida
Minha vida de cigano
Que qual a dum oceano
É plural, cheia de vida
Não conheço a sobrevida
Que há de vir pela frente
Mas posso garantir, gente,
Do fundo do coração
Com toda a convicção
Não a quero diferente
PGMorais, cordelista, Patos, PB, 30/1/26