Olá, papai! Tudo bem com o senhor, aí no Céu? Como está mamãe, tudo bem? E Ênio, seu neto, que Deus levou, no dia três de abril passado, já encontrou o senhor para conversar sobre como nos deixou aqui?
É, pai, hoje vamos ter o tradicional almoço, pela primeira vez, sem a presença dele e com a lembrança da frase que sempre proferia ao me cumprimentar: "Parabéns, Pai, por mais este Dia dos Pais; continue a ser esse bom pai que sempre foi para os seus três filhos".
Que Deus, em sua infinita bondade, esteja sendo misericordioso com todos vocês que partiram antes, e guarde o lugar para quando chegar a minha vez -- que espero não demore muito, porque isso aqui está uma verdadeira bagunça.
O país está falido e, para ser sincero, a queda no abismo é iminente.
Por hoje, é só. Continuemos aguardando o fim dos tempos, como prevê a Palavra Sagrada. Sim, papai, eu ia esquecendo de felicitar-lhe pela passagem, anteontem, dos seus cento e dois anos.
Meus parabéns! Está se tornando um coroa, hein?! Um grande beijo nesse seu coração de mãe, pai!
Do seu primogênito
Paulo Gilberto.